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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Pedro Brant

Brainstorm sobre anjos

Este ano de 2018 foi no mínimo inusitado, mínimo mesmo, acho que faltariam adjetivos para descrevê-lo, por isso não vou nem tentar. Porém, mesmo neste turbilhão de ano, cruzei com vários anjos, alguns novos, outros nem tanto. Estranho ver isso sair de um ateu, né? Mas não estou falando de anjos literais, mas de pessoas angelicais que trouxeram reflexões, evoluções, mudanças pra mim e para a minha vida.

Várias dessas pessoas imaginei que fossem demônios cruzando minha vida. Enquanto cruzava com eles colecionei raiva, tristeza, e todo tipo de sentimento ruim, não conseguia ver no momento nada de bom vindo daquelas pessoas. Entretanto, aqui estou, e , de forma inimaginável, agradecendo por ter cruzado com elas.

Muitas dessas pessoas foram verdadeiros anjos. Era notável o bem que traziam enquanto estavam comigo, independente do período e do local que passamos juntos, foram pessoas que surgiram de forma inesperados, e deixaram algo bom em mim.

Este é meu resumo de 2018, um ano cheio de acontecimentos, nenhum deles apenas por minha causa, todos com toques de anjos. E são sobre nossos anjos que venha falar. Tenho certeza que todos cruzamos com várias pessoas ano passado que deixaram uma marca, boa ou ruim. Um colega, um chefe, um amigo, um amor, um rival, por que não? E mais que marcas, já se perguntou o que teria acontecido contigo se não tivesse cruzado com esta pessoa? Meu ano seria completamente diferente, e tenho certeza que de muitos também seria.

Ao deixar uma marca positiva em ti, estas pessoas ganharam carinho e lembranças de ti. Meu ano foi repleto delas, algumas pessoas eu já conhecia, mas os atos só me lembraram dos anjos invisíveis que habitavam meu entorno e que a rotina me fez esquecer. Outros anjos eu conheci desde a virada do ano, até o seu absoluto término. São pessoas que apesar de suas próprias lutas e suas próprias feridas conseguem de alguma forma te ajudar. E, num ano tão pesado quando foi 2018, estas pessoas mereciam muito mais que o título de anjo deste texto.

Do outro lado da moeda temos pessoas que não sabem lidar com aquilo que carregam, sejam feridas ou fardos, e acabam por ferir aqueles que a cercam. Não são fáceis de conviver, muitas vezes nos vemos convivendo por simples obrigação, mas acredite em mim quando digo: não foi de todo mal. Todos tivemos esses demônios no nosso ano, foram mais que gostaríamos, talvez menos do que precisávamos. Não, não fiquei louco. Estas pessoas por mais que pareçam tóxicas no fim elas trazem algo bom, nos tornamos melhores ao lidar com elas. Aprendemos evoluir, nos tornamos melhores pessoas, se nos permitirmos a isso.

Poucos anos me trouxeram tantos demônios quanto 2018, mas nenhum me ensinou tanto com eles quanto este. Posso dizer que me tornei melhor com eles, e pude ver quando estava sendo demônio de outros, e pude aprender como melhorar para não ferir ninguém, para não ser mais demônios de ninguém.

Neste ano aprendi ser mais humano, aprendi ser mais empático, aprendi que posso ser mais eu, que se todos cuidarmos um pouco daqueles que estão ao nosso redor, sem ferir ninguém no processo, o mundo será melhor. Aprendi o óbvio, eu sei, mas é preciso viver para aprender, é preciso sentir para entender.

Num ano com tão pouco amor quanto foi 2018, aprendi a amar mais. Num momento tão egoísta da nossa sociedade, aprendi a ter mais empatia, solidariedade, e olhar pelo outro. Em momentos como estes que raiva impera aprendi a tentar trazer alegria de todas as formas sempre que puder. E nada disso aprendi sozinho, tudo isso aprendi pelas ações, conversas, ensinamentos, e convivência com meus anjos, transvestidos ou não de demônios. E a eles, todos eles, meu obrigado, pois graças a isso entro em 2019 mais preparado para tudo que esse ano me guarda.

Que novos anjos cruzem o caminho de todos nós e que nós estejamos prontos para receber aquilo que eles nos trazem. Porque no fim só temos uns aos outros.


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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Pedro Brant

Brainstorm sobre relações


Quantas pessoas você influenciou? Quantas pessoas levam consigo uma marca sua? Quantas destas marcas são boas? Quantas são ruins? Quanto cada parte de si que foi emprestada? Quantas delas te fizeram falta? Quanto isso te ensinou? Quanto isso te magoou?

Somos humanos, e, como humanos, somos sociais, uns mais, outros menos. Mas no fim todos somos. Quando interagimos trocamos ideias, conversas, afetos, raivas, experiências, sonhos, expectativas, trocamos tantas coisas até chegar ao ponto de trocarmos partes de nós.

Aqueles que nos cercam nos ensinam, sem ver e sem saber, nos moldam na base convivência, seja ela pela dor ou pelo amor. Desde das nossas primeiras interações, dos nossos mais primordiais contatos, vivemos relações de doação. Quando interagimos com alguém estamos sempre doando. Não conseguiria contar, nem nomear todas as pessoas que já me deixaram marcas, lembranças, ensinamentos, doações...

Já parou para notar quanto de ti você doa ao mundo? Quanto você entrega aqueles ao seu redor?  
Doamos de tudo, seja tempo, ajuda, conhecimento, apoio ou amor. Há, também, quem doe ódio, mal, rancor ou raiva. Mas não deixa de ser a entrega de uma parte daquilo que carregamos ao outro. Muitas vezes ao fazê-lo levamos conosco parte do outro também, nos tornando alguém diferente após este contato.

Às vezes, tudo isso acontece num simples contato, as vezes cria-se toda uma relação. Relações estas, que podem ser das mais diversas: familiares, amorosas, amizades, coleguismos e, até mesmo, inimigos.

Cada pessoa que deixamos entrar na nossa vida acaba levando um pouco de nós. Cada pessoa que entra nas nossas vidas acaba deixando um pouco de si. Relações saudáveis acontecem quando as trocas são justas e equivalentes. Estas relações nos permitem evoluir e crescer, nos tornamos mais humanos, melhores pessoas, sempre nos acrescentam. Você se verá doando partes de ti para várias pessoas ao longo da sua vida, com diferentes consequências, oras elas te engradecerão, e te darão retornos incríveis. Porém, diversas vezes serão doações injustas, quase egoístas, na qual um lado ganha um prémio melhor que o outro. Aquele amigo secreto que você dá uma caixa de chocolate e ganha uma meia.

O erro começa quando a troca é injusta. Quando um quer aproveitar aquilo que aqueles ao seu redor tem a lhe oferecer. Cultiva e cria relações egoístas, de tudo quer, de nada abre mão. Em diferentes momentos encontraremos estas pessoas em nossas vidas, em várias ocasiões elas conseguirão entrar em nossos caminhos. Só nos resta quando identificarmos, evitar tais trocas injustas.

Tudo bem, não podemos julgar alguém antes de conhece-lo. No fim a vida é feita de encontros e desencontros. Conheceremos muitos, manteremos poucos. Manteremos aqueles que as trocas serão sempre as melhores. Mas isso não mudará o fato que sempre carregaremos uma parte daqueles que cruzaram nosso caminho.

Afinal? Quanto de outros você carrega consigo?

Fonta da imagem original de @biaarantes: Instagram

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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Pedro Brant

Brainstorm sobre normalidade

O que é ser normal? Você sabe? Você é? Não sou normal. Não é uma pergunta, é realmente uma constatação. Quanto mais os anos passam, quanto mais conheço as pessoas, mais percebo isso: não sou e nunca fui normal. Mas algo me chamou a atenção nisso tudo, nunca achei ninguém que fosse. Você conhece alguém normal?

Para conseguir responder se alguém é normal, primeiro, precisamos definir o que é ser normal. Quais são os requisitos, o que separa alguém normal de alguém considerado não normal? Cada um tem seu conjunto de coisas consideradas normais, mas todas oscilam no entorno da cultura macro em que vivem.

Quantas pessoas normais você conhece? O que elas têm em comum? O que as fazem parecer normais, serem normais?

Não consigo dizer por países e regiões que fogem muito a nossa realidade, mas olhando apenas para nosso mundinho existem infinitas normas e regras que você tem que seguir para ser normal. Façamos um exercício, imagine alguém absolutamente normal. Irei ajudar, uma pessoa normal segue diferentes normas, códigos e convenções socioculturais, entre elas temos códigos de vestimenta, alimentação, comportamento (que variam da forma de andar até a forma de falar) e chegamos ao ridículo de algumas regras que consideram o físico e condição física de cada um. 

Tenho certeza que você foi montando um personagem extremamente chato e quadrado. Alguém que se existisse de verdade seria uma pessoa tão normal que chegaria ao ponto de ser estranha. Mas pera. Então a pessoa absolutamente normal soa anormal?

A ironia aqui é essa. A normalidade não existe. Somos anormais porque somos únicos. Cada um de nós tem seus defeitos, manias, interpretações da vida em sociedade, que, enquanto não faz mal aos outros, não é errada. Acabamos chamando de normal pessoas que seguem uma grande porcentagem das regras socioculturais dos normais, mas no fim ninguém seguem todas.

Não tem problema cantar no banho, dançar no shopping enquanto escuta música no fone de ouvido, comer batata frita com sorvete, gostar de pizza fria de café da manhã, tomar café de noite, não dormir de noite para dormir de tarde, falar de sexo na roda de amigos, pintar o cabelo de rosa, cortar o cabelo com moicano reverso, comer chocolate com bacon, gostar de passas na ceia de natal, escrever um blog com textos aleatórios.

Tudo isso é normal, pra quem faz, pra quem gosta, e não afeta ninguém. O fato de sermos únicos é uma das coisas mais mágicas da sociedade. Nossas anormalidades nos unem, nos deixam melhores, nos completam. Se olhar para as pessoas com quem tem afinidade verá que tem quase tantas semelhanças quanto possível, mas no fim ainda são seres únicos. Acabamos nos cercando de pessoas tão anormais quanto nós, mas que ainda tem o que nós acrescentar.

Não é errado ser anormal, ser diferente, ser louco, afinal, todos somos. Somos únicos, isso que faz o mundo divertido, isso faz conviver com os outros divertido, que, no fim, faz a vida ter graça. Ser normal é chato, então, sinto muito a todos, eu não sou normal, e nem vou me esforçar pra ser, mas sou algo muito mais especial, sou único, como todos somos. A todos nós uma jornada nada normal pela vida.



Fonte: Colegioweb

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Pedro Brant

Brainstorm sobre Tempo

Quanto vale um minuto? Qual a importância dessa fração de hora? Me peguei pensando isso, e instantaneamente fui ver quanto ganho por minuto. Algumas contas depois chego a algumas moedas e, bem, temos um valor. Mas ao mesmo tempo que consegui um valor percebi que não era esse valor que buscava.

Afinal, quanto realmente vale um minuto?

Vamos reformular.

Quanto você está disposto a dar por mais um minuto na cama segunda de manhã, por um minuto a mais com quem você ama, por mais um minuto com seus filhos, família, amigos? Pensando assim fica fácil abrir mão daquelas moedinhas né? Ou pelo menos a tentação aparece certo?

Tempo é uma moeda poderosa, única e especial. Tempo é algo que todos nascemos com uma poupança e não sabemos quanto tem nela. Vamos usando ao longo da vida, muitas vezes como se não tivesse fim. Olhando dessa forma é como se vivêssemos nossa vida como uma constante permuta, estamos sempre trocando tempo por coisas que precisamos, queremos, desejamos... Pera, precisamos? Mesmo?

Tempo vale ouro é uma frase velha e falsa. Não existe ouro com poder para comprar aquilo que o tempo pode comprar e, mesmo assim, muitas vezes acabamos trocando nosso tempo por coisas que não valem, não merecem o nosso tempo. Nós valorizamos muito pouco o quanto vale o tempo. Não existe presente mais belo que o tempo, dar seu tempo a alguém é a maior prova de amor que você pode dar, seja a pessoas com vínculos próximos ou apenas ceder seu tempo para ajudar a alguém.

Tempo não volta, não tem reembolso, nem empréstimo. Só mesmo nossa poupança invisível, esgotando a cada minuto usado. Na sociedade atual o que fazemos é uma troca, como trocar moeda numa casa de câmbio. Cedemos tempo, ganhamos dinheiro, e com esse dinheiro queremos melhorar o tempo que sobra. Parece idiota dizendo assim né?

Por que alguém iria jogar fora tanto tempo por um tal de dinheiro que deixa o tempo que sobra melhor? Não é melhor ter mais tempo? A melhora do tempo que sobra compensa tanto a ponto de vendermos tanto tempo assim?

Estas perguntas são sem sentido, principalmente se pensarmos que muitas vezes não escolhemos. Assim como comprar moedas em casas de câmbio, ficamos sujeitos as cotações que querem pagar por nosso tempo, e sem o tal do dinheiro não podemos usar de maneira mínima nosso tempo. É uma eterna armadilha giratória, na qual estamos presos vivendo.

Mas, de novo, seus minutos valem as moedinhas? E se ao invés de ter aquele item de última geração, eu passar 6 horas a mais em casa com minha filha por semana? E se ao invés de ter um carro, eu tivesse mais condições de encontrar com meus amigos aos sábados? E se no lugar de uma casa maior eu pudesse passar 24h a mais com quem amo por mês? E se?

Não é só como as coisas funcionam que dizem como vamos vender ou gastar nosso tempo, nossas escolhas também dizem muito. Não podemos deixar de vender o tempo, mas podemos decidir como é melhor vendê-lo e o que faremos com os frutos desta venda. Nosso tempo é nosso, apenas nós definimos como e com quem usá-lo.

Cada um transforma seu tempo de maneira diferente, esta é a beleza humana, somos singulares, únicos, isso nos permite pensar em infinitas maneiras de usar o tempo que nos sobra. Basta sermos criativos. Sabermos o que realmente importa. O que e quem realmente merece nosso raro, único, e especial tempo.

Cada minuto dado a alguém vale mais que qualquer um de nós jamais conseguiria imaginar. Só posso desejar muitos minutos a todos.

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sábado, 30 de dezembro de 2017

Pedro Brant

Brainstorm sobre Ciclos

Se esse ano me ensinou algo foi que a vida é imprevisível.

Nada do planejada ocorreu, nada do imaginado ocorreu. Planos? Expectativas? Previsões? Os últimos 365 dias foram dias de surpresa. Não bastaram ser surpresas, elas foram sequenciais, mal tinha tempo para respirar e 2017 atacava novamente. Ahh querido ano, queria férias de você, incontáveis vezes eu queria que você acabasse logo, pois não aguentava mais. Tolo eu, mal sabia que tudo isso era parte do que este ano guardava pra mim.

Este ano me mostrou também como o tempo faz bem para muitas coisas, e muito mal a outras. Olhe para um exemplo simples, se deixarmos uma foto exposta ao tempo por muitos anos ela vai se desbotar, mas apenas a foto vai se apagar, as lembranças e sentimentos provocados pelo momento ali registrado estarão tão vívidas ou, quem sabe, até mesmo mais do que quando o momento ocorreu.

Lindo ano, belo ano, ano cheio de histórias, algumas boas, muitas perdidas, desgastadas pelo tempo rapidamente, outras muito tristes e ruins. E novamente este ano veio com seus ensinamentos, mostrando da dor, um caminho; dos problemas, o desenvolvimento; das dificuldades, a graça da vida.

Estamos tão cercados e tão concentrados no nosso dia a dia que esquecemos que o tempo passa, que o mundo muda, que a vida acaba. Querido ano, dessa vez você não me deixou esquecer nada disso não foi? Foram desafios intransponíveis, frustrações invencíveis, erros sequenciais e ainda assim estávamos ali lutando. Com cada nova barreira, você jogava uma luz, o raio de esperança, como uma isca, esperando que eu fosse, e eu sempre ia, e cá entre nós, eu não tenho medo, sempre vou acabar indo.

Em acontecimentos, 2017 conseguiu se equiparar a 2016, nada de ano pacato, muito pelo contrário. Seja no mundo, com extrema direito tentando renascer e o mundo reagindo como pode, seja no Brasil, com o governo atual nos atacando sem parar, e nós, tentando nos defender como conseguimos, seja no plano pessoal, que muitos de nós enfrentamos batalhas novas nunca antes travadas. Este ano foi cheio, muito cheio.  

Este ano deixa suas cicatrizes, e como toda marca de guerra deve deixar um ensinamento. Quem sou eu pra dizer qual é ele, somos humanos, temos o dom do raciocínio complexo, e o mais importante, somos diferentes. O núcleo da mensagem é o mesmo, mas a mensagem é individual. Cada um achará ela dentro de si e daqueles que o cercam. Te convido a achar a sua. A minha, o mar me contou hoje.

Por último, mas não por fim, pois o ciclo se renova, 2017 foi um ano pedágio. Passei por vários degraus custosos, e cada passo foi um ensinamento como nunca antes, uma mudança, uma transformação, ou até mesmo uma revelação. Ao pagarmos pedágios ganhamos passagem para a próxima parte da estrada, e estou pronto para seguir por novas rotas, meus pedágios estão pagos a estrada a minha frente está livre, só cabe a mim determinar o caminho, ou seguir por ele até um destino desconhecido.

A todos que chegaram comigo até aqui, só tenho uma coisa a dizer, que o 2018 de vocês traga tantas esperanças, sonhos, desejos, amores, felicidades e alegrias quanto possível. Que os pedágios da vida sejam mais leves pra nós, mas que a vida não nos negue a nossa dose de surpresas, afinal, queremos curtir a vida e pra isso ficar melhor ela tem que trazer um pouco de graça.

Feliz Ano Novo, um incrível novo ciclo para todos nós.


Fonte: Arquivo Pessoal (Londres - 01/01/2014)

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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Pedro Brant

Brainstorm sobre Suicídio

Desta vez começo com apenas uma pergunta. Já sentiu vontade de morrer? 

Sim? Então deixe-me esclarecer e reformular. 

Ter vontade de morrer porque seu dia foi cansativo, estressante, ou porque deixou sua comida favorita queimar e agora vai ter de comer miojo com salsicha não contam. Estou falando de vontade de morrer vendo a morte a solução de seus problemas, chegando ao ponto de elaborar ou até mesmo tentar realizar a própria morte. 

Agora, reformuland, já sentiu vontade de se matar?

Se em algumas das vezes você respondeu “NÃO” eu te convido a abrir a mente para ver o suicídio pela visão do suicida. Caso sua resposta seja “SIM” na última pergunta, por favor, me acompanhe até o fim.

Pular de um prédio em direção aos fios de alta tensão, tomar uma cartela cheia de remédios tarja preta, comer veneno para rato ou até mesmo namorar uma faca procurando o melhor jeito de se matar sem sofrer no processo. Tudo isso ocorreu comigo ou com pessoas próximas a mim, mas até chegar neste ponto existe um longo caminho, e ele não é, e nunca foi, sem volta.

Vamos esclarecendo as coisas aos poucos. 

O suicídio é visto como a forma máxima e final de fuga e tentativa de resolução de problemas que a pessoa com tendência ao suicídio vê como única solução. Neste ponto estamos tão convictos que não tem outra solução, pois tudo que tentamos já falhou e nada deu resultado que cada vez mais o fim da vida parece uma solução plausível para cessar aquela sensação de dor e angustia.

Por acaso, você já sentiu que você não tinha importância? Ou que sua presença não era relevante ou significativa? Ou que simplesmente nada dava certo? Já sentiu durante semanas aquela vontade de só não existir? Nunca levantar da cama? Ignorava a fome porque não tinha disposição nem para comer? Já realmente desistiu da vida? Muitos SIMs aqui podem significar depressão.

Neste momento que entramos num terreno pouco sólido para a maioria das pessoas, então antes de continuar tenham ciência de que depressão não é uma tristeza que passa. Não é só falta de sol. Não é só preguiça. Não é frescura. Não é falta do que fazer. Ao mesmo tempo, dizer que qualquer estado de tristeza é depressão também está errado. Posso ter perdido alguém muito importante para mim e passar semanas triste, mas me recuperar e seguir a vida, como posso entrar num estado de depressão sem ter perdido ninguém e nem nada grave ter ocorrido. Quem realmente rege a depressão é a química dos nossos cérebros. Claro que fatores externos ajudam, mas não são exclusivos.

A depressão é um ingrediente muito poderoso na receita de formação da ideia de suicídio. Sob influência da depressão é como se iniciássemos uma luta. É como se a mente entrasse num dilema ético entre acabar com o próprio sofrimento e no processo causar mais sofrimento nos outros. Nesta luta é comum perder as batalhas quando estamos nela sozinhos. Sem alguém que pode ser amigo, parente, colega; e, em muitos casos, da ajuda profissional correta, esta luta se torna cada vez mais difícil. 

Até que chegamos ao ponto de inflexão.

Deste ponto em diante cada segundo se torna mais importante para quem está de fora e nós de dentro nos sentimos cada vez mais impotentes. É o ponto em que a vontade de morrer supera o receio de causar dor em quem gostamos, é quando a guerra interna acaba e o lado egoísta da disputa ganha. Neste momento apenas terminar com aquilo que te machuca importa e, nesse caso, viver é que machuca, e se no processo você acabar causando dor as pessoas a sua volta é apenas parte do processo. Neste ponto é quando a ideia do suicídio se solidifica. 

Para quem nunca havia pensado ou ouvido nada disso pode parecer bizarro, e hoje para mim é bizarro pensar que passei por isso, mas estava com o julgamento distorcido pelo desequilíbrio químico que meu cérebro estava passando, e quando você está neste estado estes pensamentos são mais normais que alguém que nunca passou por isso pode imaginar.

Usando uma metáfora clássica, o copo está sempre vazio para o suicida em potencial. Veja que disse vazio e não meio vazio. Nada é bom, tudo está ruim, os lados negativos de tudo são exagerados enquanto os positivos diminuídos.

É como imaginar que nossa felicidade fosse uma estrada. Estamos andando no plano a maior parte do tempo, pode ter umas subidas que demoram mais a voltar para o nível que estávamos, ou umas descidas que demoramos mais a subir de volta para a origem, mas no fim sempre voltamos ao mesmo nível do começo. Com a depressão é como se tivéssemos pegado um túnel embaixo da estrada, estamos sempre abaixo do nível de felicidade que normalmente estaríamos, e para piorar, nas subidas o túnel sobe menos e nas descidas ele desce mais.

Mas, depois de tudo isso, se voltarmos ao início do texto eu falei que não era um caminho sem volta. O que um suicida potencial precisa não é que todo mundo pergunte se ele está bem, ele precisa de apoio, muitas vezes esse apoio é aquele empurrão que faltou para ele procurar um psicólogo ou psiquiatra. Para ele o mundo é uma merda, incorrigível e cada vez pior. O mundo pode até ser uma merda, mas não é incorrigível, e nem é feito só de maus momentos. A felicidade não é eterna nem constante, mas é alcançável, e formada de pequenos picos de alegria. 

Para os SIMs no início do texto, saibam que existe volta e vocês não precisam andar esse caminho sozinhos. Para os NÃOs, ajudem a quem precisa, espero ter deixado claro suficiente que há muito mais acontecendo do que podemos ver.

“Hold on tight
This ride is a wild one
[…]
Now don't lose your fight kid” Missing You – All Time Low

“Some days it feels like I’m still getting nowhere
I walk in circles round and round

[...]
Some days are good
Some days are tough
Some days these dreams just ain’t enough” Somedays – Lostprophets

Centro de Valorização a Vida - Disque: 141
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domingo, 14 de maio de 2017

Pedro Brant

Brainstorm sobre Parenting

Nem todos nascemos para ser pai ou mãe. Alguns de nós, por opção, passaram pela vida sem saber o que é isso, como é ter um filho. Outros, muitas vezes não por opção, descobrem como é ter um filho, alguns desses já tinham o desejo, outros veem o sentimento e desejo nascer junto com o filho, mas existe aquela parcela que nunca verá isso nascer.

Mas antes de prosseguir, precisamos de uma definição, vamos ver um significado figurativo retirado de um dicionário:

Mãe: Aquela oferece cuidado, proteção, carinho ou assistência a quem precisa.

Se tratando de uma sociedade que o papel de criação de filho não compete mais apenas a mulher, poderíamos dizer que Pai é o masculino análogo da mãe neste caso. Certo?

Vamos agora pensar como nós definimos socialmente pai e mãe. Pensou? Agora guarde o que pensou, no final vamos comparar.

Algumas pessoas buscam título de pai e mãe, como se fosse um achievement a ser atingido, um souvenir que se compra numa viagem, um troféu que se põe na estante, por vezes apenas por pressão social. Mas já parou para se pensar que faz muito mais sentido esse título ser merecido ao invés de recebido?

Vamos a 3 cenários com 3 diferentes mulheres, temos uma mulher que adota uma criança abandonada, temos uma mulher que cria uma criança órfã, e temos uma mulher que engravidou por acidente.

No primeiro cenário, nós temos aquela pessoa que tem o desejo real de ter um filho e cuidar dele, dando carinho, educação, suporte e atenção, e maneira que ela escolheu foi adotar uma criança que hoje não tem nada disso.

No segundo cenário, temos alguém que não deseja ser mãe, mas se doa assim mesmo, seja por empatia, seja por carinho. Costumamos chamar essas mulheres de mãe “do coração” (as aspas existem pois acho essa expressão completamente incorreta, mas já chegaremos lá).

No terceiro, sem contexto temos infinitos cenários, a mulher poderia ou não desejar ser mãe, se não, ela poderia ou não dar o filho para adoção (e não, isso não é um ato egoísta, e sim de amor, mas fica de assunto para outro texto), e se não desse para adoção, ela poderia ou não desenvolver o desejo de ter um filho. Caso todas as respostas destes questionamentos sejam não, temos um cenário de uma criança crescendo num lar sem apoio, sem carinho.

No primeiro cenário temos uma mãe “adotiva”, mas hoje já aprendemos suprimir o “adotiva”, pois ela fez por merecer o título que tem. No segundo relutamos em dar o título de mãe, mesmo sendo ela quem cria, cuida e educa, e quando aceitamos, damos título chamando de mãe “do coração” para diferenciar das demais, apenas porque não foi ela quem gerou, ou não é quem consta na certidão. No terceiro, não questionamos, damos o título sem nos opor, apenas porque foi esta mulher quem gerou e por isso ela deve ter o título.

Tudo isso, novamente, é análogo aos homens e pais.

Tratar o título de mãe/pai como algo a ser merecido nos levaria a grandes mudanças de paradigmas. Por exemplo, existem vários tipos de relações humanas, familiares, amizades, amorosas. É aceitável, hoje, que um casal termine e nunca mais volte a se falar (inclusive é bem esperado), ou que melhores amigos acabem brigando um dia e nunca mais se falem, mas em relações familiares isso não é aceitável (não normalmente), exatamente porque o título é tratado como algo imposto a quem o carrega, jamais podendo abrir mão dele. Isso muda completamente com a mudança de paradigma, teríamos rompimentos de relações familiares danosas as partes, uma vez que elas não são mais eternas, não havendo a obrigatoriedade que elas continuassem a existir se não fossem benéficas.

Mães e Pais, são aqueles que educam, criam, ajudam, dão carinho e amor, e em troca receberão tudo isso, pois como toda relação humana, a familiar também é uma via de mão dupla.

Agora, voltando a definição de pai/mãe que você havia pensado no início do texto. Quantas pessoas você conhece que na definição tradicional não tem o título, mas o merecem e ele nunca foi dado, e quantas o detém sem na verdade o merecer. Acaba sendo muito comum, mesmo que não aceitemos, conhecemos um avó de um amigo, o pai de um vizinho, sua própria mãe ou até mesmo a sua bisavó. Felizmente, hoje com a menor imposição social para que as pessoas sejam pais, o número destes casos tem diminuído.

Para todos aqueles e aquelas que conquistaram o direito ao título, este dia é de vocês, sejam mães ou pais. Não é simples aceitar e abraçar todos os desafios que a vida impõe ao escolher cuidar de alguém, é compartilhar uma parte de si, e passar seus valores e conhecimentos adiante. Por isso existem dois dias para comemorar a existência dessas pessoas que merecem serem chamadas de mãe e pai.

Fonte da Imagem: Parkson's Movement

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