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sábado, 18 de dezembro de 2021

Pedro Brant

O Ceifador

Aqui estou eu, por esse período interminável no escuro, esperando o próximo nome que teria sua alma levada embora do plano terreno. Não sabia a quanto tempo eu já era um ceifador, não tinha mais muitas das minhas memórias, só tinha as memorias dos meus erros e falhas de quando era vivo. Era forçado a revivê-las sempre, pois eram minha única companhia.


Isso nunca me deixava esquecer o porquê de eu estar aqui, vivendo este purgatório. Um suicídio. Tirar uma vida, mesmo que seja a sua própria, sem razão, era motivo de punição.


Estava parado no escuro, sem roupas, apenas com a veste preta pela qual ceifadores são conhecidos e eternamente segurando a foice. Não, ela não é o instrumento de matar, ela só desconecta a alma do plano terreno, e assim podemos levá-la embora.


Comecei sentir a queimação no meu braço esquerdo, o nome da próxima pessoa marcado na minha pele. Era hora de trabalhar novamente.


É uma função muito triste levar pessoas embora. Poucas são as que realmente estão prontas, sentem que terminaram sua passagem na terra. Na grande maioria separamos amores, diminuímos famílias, tiramos pais de seus filhos, ou filhos de seus pais, destruímos sonhos...


Quando menos me dei conta já estava na frente da casa da próxima pessoa. Como sempre, para a morte, as portas estão destrancadas. Vou caminhando até o quarto em busca da alma que deveria levar comigo, porém...


- Quem é você? Como entrou aqui? Por que está fantasiado de morte? – Questionou como um raio ao me ver.


Perguntas para o representante da morte são normais, mas todos sabem já que estão mortos. As vezes barganham, as vezes entram em negação. Mas dessa vez algo parecia diferente, não parecia uma simples negação a morte.


- Eu sou o representante da morte. – Comecei – Você morreu e vim levar...


Parei imediatamente. Estou a tanto tempo fazendo isso, que não me dei conta da coisa errada. Ela não havia morrido. Ainda. Reconheci os sinais, ela estava com tudo pronto para um suicídio. Como eu havia feito.


- Você não está morta. -Falei baixo, como se para notar a realidade dos fatos.


Congelada, com os remédios ainda na mão, ela me olhou.


- Já vou estar, se você veio me buscar, pode esperar que já vou contigo.


Senti medo, ver meu erro sendo cometido de novo, não podia deixar acontecer novamente, não importa a punição, já estou no purgatório mesmo o que poderia ser pior?


- Não faça isso. A vida é nosso maior presente. – Comecei.


- PRESENTE? Acho que você não tem noção de como é estar vivo. Você só tem que carregar que morreu.


- Talvez eu realmente tenha me esquecido de como é estar vivo. Não sei nem meu nome mais. Mas sei de algo importante, é na vida que a gente pode aproveitar.


Ela fez menção a me interromper. Ergui a mão em sinal que ia continuar. Eu precisava continuar.


- Eu me matei, não sei quanto tempo atrás mais. Eu tinha problemas sem solução, perdi aqueles que chamava de amigos, vi meus sonhos morrerem, minha vida perder sentido. Até que decidi que não valia a pena viver.


- Se você me entende, por que está sendo advogado da vida aqui?


- Porque eu não poderia estar mais errado. Somente na vida podemos achar solução para nossos problemas, apenas vivos podemos encontrar novos amigos, criar novos sonhos, até mesmo achar novos problemas para resolver. Podemos mudar de direção, começar tudo de novo, fazer dar certo de outros jeitos. Depois de morto só te sobra lamentar o que você poderia ter feito.


- Vida – segui dizendo – é como um relógio, só anda pra frente, e se para, não tem mais o que ser feito com ele. Você sempre pode tentar de novo, mudar tudo, fazer diferente, mas só enquanto estiver viva.


Ela soltou os remédios, o alívio me acometeu. Me senti humano de novo, pela primeira vez, desde que esse purgatório começou.


- Queria ter um amigo como você.


- Você pode. – eu disse dando um sorriso – Seres humanos são tão vastos e tão diferentes entre si, que com certeza você vai achar alguém além de mim pra te dar sermão.

- Obrigada.


E depois dessa única palavra eu fui tirado de lá. Ela havia desistido, não havia mais morte ali, não tinha porque um ceifador estar ali. Agora era hora de eu encarar a punição por evitar uma morte.


Quando abri os olhos, não me vi no breu de sempre, não tinha mais as marcas dos nomes que ceifei marcados na minha pele, eu não era mais um ceifador. Parece que ensinar minha lição era minha libertação. Posso seguir para o descanso em paz finalmente. 

Fonte da imagem: https://www.redbubble.com/

    

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terça-feira, 9 de abril de 2019

Pedro Brant

Garotinha

‘Acho que tô sendo egoísta de novo’

Isso não saia de sua cabeça e estava atrapalhando muito mais que ajudando, acreditem. Um escritor que não consegue escrever por culpa, qual a utilidade? Mas pobre escritor, ele está numa situação complexa. A editora deu prazo limite para o seu livro ser finalizado, caso contrário irão desistir do projeto. As crianças estão exatamente nos terríveis dois anos, o único lugar que ele conseguiu paz foi num café a duas quadras de casa. Mas agora o remorso de não ajudar com as crianças o consome e não o deixa escrever em paz.

Os clientes do café podiam observar o nervosismo do escritor pois ficava pressionando sua caneta.

*click* *click* *click*

Ficava encarando o computador, perdido em sua confusão mental, na quantidade de coisas que já tinha criado.

‘Por que sempre é tão difícil terminar uma história?’

Num momento de fraqueza extrema o escritor apenas desistiu. Largou a caneta e deitou-se sobre o notebook. Ficou assim por vários minutos, como que esperando uma magia acontecer. Para a sorte do escritor acho que era um dia mágico afinal.

Uma criança se aproxima e senta-se na mesa. Coloca a mão nas costas de escritor e lhe da alguns tapinhas de conforto. Ele levantou a cabeça incrédulo e encarou uma pequena menininha, com seus cachinhos caindo na altura da orelha, e ficou encarando aqueles olhinhos mas antes que pudesse interpretar o que aquele olhar queria dizer ele descobriu.

-Desculpe senhor. – falou a mãe ao longe quase correndo para pegar a filha de volta – Ela é muda.

Fez um aceno indicando que tudo estava bem e sutilmente o escritor voltou a olhar para a criança que agora estava com um enorme sorriso. Ele se virou para mãe como que contagiado pelo sorriso da pequena pessoinha.

- Se você não estiver com pressa gostaria muito de ter uma conversa com sua filha.

-Mas, -relutou um pouco encarando o homem- ela é muda.

-Sim, mas no momento acho que ela tem mais pra falar que eu em 100 vidas.

A menina ficou com uma expressão de quem estava gostando de toda aquela situação, parecia extremamente curiosa com o que estava acontecendo e com o que iria acontecer. Mas aparentemente dependia de sua mãe permitir.

Ela sentou-se na mesa com eles colocou seu café e devolvendo o sorriso do escritor concordou com um aceno. E se deixou tomar pela mesma curiosidade da garota.

-Sente aqui, a partir de agora você quem fala.

Ela ficou radiante, parecia que era a primeira vez que alguém a convidava para ser o centro das atenções. Ficaram se encarando por alguns momentos. O escritor queria nivelar a situação, então se prometeu que não falaria também, com um gesto com as mãos. Agora eram dois mudos. Sorrindo um para o outro.

A garotinha percebeu a intenção do homem. E começou a gesticular, fazendo mímica se comunicou. O escritor ficou perdido por um tempo, mas assim que pegou o jeito estavam ali ambos fazendo gestos, brincando um com o outro, inventando gestos com significados. Conversando, sobre tudo, sobre nada, apenas se deixando levar.

Ficaram mais de meia hora se divertindo ali. A mãe da garotinha estava apenas observando admirada a alegria de sua filha de estar interagindo com alguém novo. Quando finalmente deram uma pausa, o escritor pegou a garota no colo, e ainda sem dizer uma palavra a entregou para a mãe. O olhar dos três já dizia tudo, carregava a gratidão e alegria de todos os três.

O escritor, agora com a inspiração que precisava, acenou para as duas e sentou-se no computador e foi terminar seu livro, ainda mais ávido para voltar para suas próprias crianças. 

Fonte: medium.com/@christianacromer

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Pedro Brant

O jantar


As panelas estavam espalhadas por toda a cozinha. O jantar precisava ficar perfeito. Foi planejado cuidadosamente por uma semana. Todos os detalhes checados, tudo ok, menu impecável. Só faltava a preparação.

Fazia muito tempo que não tinha um jantar romântico como casal, na verdade, não lembrava quando foi o último, mas sabia de uma coisa, nunca tinha feito um.

“Será que faz tanto tempo assim mesmo?”

Olhou no relógio, não queria perder a hora. Haviam combinado às 19 horas, e queria ser pontual, muito pontual, assim como era contigo.

A massa da torta estava no forno, era hora de arrumar a mesa. O prato principal estava pronto aguardando finalização no forno elétrico, a entrada estava pronta na geladeira, então foi à mesa. Parou e olhou para os lados, estava tudo arrumado, organizado. Olhou novamente para a mesa, se deixou sentir o frio na barriga pela primeira fez, nunca havia se colocado nessa situação de fazer um jantar para 2, não sabia se estava exagerando muito ou estava tudo bem.

“Ambos do mesmo lado, ou em lados opostos?”

Sempre via em filmes em lados opostos, mas queria tanto sentar lado a lado. Desistiu. Cedeu ao clássico ainda a contragosto. Olhou no relógio e viu que não tinha tempo de ficar pensando sobre isso e foi logo pro banho.

“Faltam 15 minutos”

Era tudo que conseguia pensar.

No tempo passando, no relógio correndo, em tudo que tinha que fazer, ligar o forno para grelhar o prato principal. Então o fez e saiu correndo para o banho.

“10 minutos de forno e tudo fica pronto”

No banho se deixou relaxar pela primeira vez desde que acordou, havia passado o dia naquela tensão. Como era bom sentir a água quente do banho, mas espera, estava cheirando queimado! Saiu correndo do banho sem se secar direito com a toalha enrolada ao corpo e descobriu que havia deixado a sobremesa dentro do forno, prato principal feito e sobremesa perdida!!!

Mal conseguida conter as lagrimas de frustração, olhou para o relógio e faltavam 5 minutos. Entre chorar e se vestir ficou com a opção racional. Já havia separado a roupa, desde de manhã pra ser exato, era para ter sido a noite perfeita, bom, era.

Vestiu-se como um relâmpago e foi para a cozinha arrumar um plano B.

“6 minutos. Só dá tempo de uma salada de frutas bem meia boca.”

A frustração daquele pensamento era agravada pela sobremesa queimado na pia. Foi, sem dúvida, a salada de fruta mais rápida e malfeita da vida. Lágrimas apareciam só de imaginar que aquilo seria o encerramento o jantar perfeito. Pelo menos tudo finalizado a tempo. Sentou-se à mesa e aguardou. Já que a campainha iria tocar.

Passaram-se 50 minutos, tinha certeza que ninguém viria mais, não conseguia conter as lagrimas, todo aquele esforço e no fim ficou só. Encarava a mesa, inerte, já não sabia o que fazer, estava tudo frio, passado do ponto. Como podia alguém tão pontual se atrasar quase uma hora?

*beep*

Como quem não acredita no que ouviu, não teve reação ao ouvir a campainha. Foi preciso ouvi-la novamente para acreditar que estava acontecendo. Voou para a porta, quando abriu realmente estava ali, a razão do jantar.

“Você devia ter chegado uma hora atrás?!”

“Mas nem são 19 horas. Faltam 5 pras 19.”

“Não mesmo” - Respondeu mostrando o relógio de pulso.

“Então, acho que você ainda tá no horário de verão, acabou ontem”

Ficara sem reação, e isso ficou tão evidente que vendo sua expressão, com toda delicadeza, sua visita disse:

“Não tem problema, vamos te ajudo esquentar o jantar, tenho certeza que vai tá ótimo.”

Ainda com lagrimas nos olhos pela sua falta de noção de mundo, apenas concordou com a cabeça e foram para a cozinha esquecer do horário de verão, aquecer o jantar e curtir a noite.

Fonte: food.ndtv.com


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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Pedro Brant

Brainstorm sobre anjos

Este ano de 2018 foi no mínimo inusitado, mínimo mesmo, acho que faltariam adjetivos para descrevê-lo, por isso não vou nem tentar. Porém, mesmo neste turbilhão de ano, cruzei com vários anjos, alguns novos, outros nem tanto. Estranho ver isso sair de um ateu, né? Mas não estou falando de anjos literais, mas de pessoas angelicais que trouxeram reflexões, evoluções, mudanças pra mim e para a minha vida.

Várias dessas pessoas imaginei que fossem demônios cruzando minha vida. Enquanto cruzava com eles colecionei raiva, tristeza, e todo tipo de sentimento ruim, não conseguia ver no momento nada de bom vindo daquelas pessoas. Entretanto, aqui estou, e , de forma inimaginável, agradecendo por ter cruzado com elas.

Muitas dessas pessoas foram verdadeiros anjos. Era notável o bem que traziam enquanto estavam comigo, independente do período e do local que passamos juntos, foram pessoas que surgiram de forma inesperados, e deixaram algo bom em mim.

Este é meu resumo de 2018, um ano cheio de acontecimentos, nenhum deles apenas por minha causa, todos com toques de anjos. E são sobre nossos anjos que venha falar. Tenho certeza que todos cruzamos com várias pessoas ano passado que deixaram uma marca, boa ou ruim. Um colega, um chefe, um amigo, um amor, um rival, por que não? E mais que marcas, já se perguntou o que teria acontecido contigo se não tivesse cruzado com esta pessoa? Meu ano seria completamente diferente, e tenho certeza que de muitos também seria.

Ao deixar uma marca positiva em ti, estas pessoas ganharam carinho e lembranças de ti. Meu ano foi repleto delas, algumas pessoas eu já conhecia, mas os atos só me lembraram dos anjos invisíveis que habitavam meu entorno e que a rotina me fez esquecer. Outros anjos eu conheci desde a virada do ano, até o seu absoluto término. São pessoas que apesar de suas próprias lutas e suas próprias feridas conseguem de alguma forma te ajudar. E, num ano tão pesado quando foi 2018, estas pessoas mereciam muito mais que o título de anjo deste texto.

Do outro lado da moeda temos pessoas que não sabem lidar com aquilo que carregam, sejam feridas ou fardos, e acabam por ferir aqueles que a cercam. Não são fáceis de conviver, muitas vezes nos vemos convivendo por simples obrigação, mas acredite em mim quando digo: não foi de todo mal. Todos tivemos esses demônios no nosso ano, foram mais que gostaríamos, talvez menos do que precisávamos. Não, não fiquei louco. Estas pessoas por mais que pareçam tóxicas no fim elas trazem algo bom, nos tornamos melhores ao lidar com elas. Aprendemos evoluir, nos tornamos melhores pessoas, se nos permitirmos a isso.

Poucos anos me trouxeram tantos demônios quanto 2018, mas nenhum me ensinou tanto com eles quanto este. Posso dizer que me tornei melhor com eles, e pude ver quando estava sendo demônio de outros, e pude aprender como melhorar para não ferir ninguém, para não ser mais demônios de ninguém.

Neste ano aprendi ser mais humano, aprendi ser mais empático, aprendi que posso ser mais eu, que se todos cuidarmos um pouco daqueles que estão ao nosso redor, sem ferir ninguém no processo, o mundo será melhor. Aprendi o óbvio, eu sei, mas é preciso viver para aprender, é preciso sentir para entender.

Num ano com tão pouco amor quanto foi 2018, aprendi a amar mais. Num momento tão egoísta da nossa sociedade, aprendi a ter mais empatia, solidariedade, e olhar pelo outro. Em momentos como estes que raiva impera aprendi a tentar trazer alegria de todas as formas sempre que puder. E nada disso aprendi sozinho, tudo isso aprendi pelas ações, conversas, ensinamentos, e convivência com meus anjos, transvestidos ou não de demônios. E a eles, todos eles, meu obrigado, pois graças a isso entro em 2019 mais preparado para tudo que esse ano me guarda.

Que novos anjos cruzem o caminho de todos nós e que nós estejamos prontos para receber aquilo que eles nos trazem. Porque no fim só temos uns aos outros.


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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Pedro Brant

Brainstorm sobre relações


Quantas pessoas você influenciou? Quantas pessoas levam consigo uma marca sua? Quantas destas marcas são boas? Quantas são ruins? Quanto cada parte de si que foi emprestada? Quantas delas te fizeram falta? Quanto isso te ensinou? Quanto isso te magoou?

Somos humanos, e, como humanos, somos sociais, uns mais, outros menos. Mas no fim todos somos. Quando interagimos trocamos ideias, conversas, afetos, raivas, experiências, sonhos, expectativas, trocamos tantas coisas até chegar ao ponto de trocarmos partes de nós.

Aqueles que nos cercam nos ensinam, sem ver e sem saber, nos moldam na base convivência, seja ela pela dor ou pelo amor. Desde das nossas primeiras interações, dos nossos mais primordiais contatos, vivemos relações de doação. Quando interagimos com alguém estamos sempre doando. Não conseguiria contar, nem nomear todas as pessoas que já me deixaram marcas, lembranças, ensinamentos, doações...

Já parou para notar quanto de ti você doa ao mundo? Quanto você entrega aqueles ao seu redor?  
Doamos de tudo, seja tempo, ajuda, conhecimento, apoio ou amor. Há, também, quem doe ódio, mal, rancor ou raiva. Mas não deixa de ser a entrega de uma parte daquilo que carregamos ao outro. Muitas vezes ao fazê-lo levamos conosco parte do outro também, nos tornando alguém diferente após este contato.

Às vezes, tudo isso acontece num simples contato, as vezes cria-se toda uma relação. Relações estas, que podem ser das mais diversas: familiares, amorosas, amizades, coleguismos e, até mesmo, inimigos.

Cada pessoa que deixamos entrar na nossa vida acaba levando um pouco de nós. Cada pessoa que entra nas nossas vidas acaba deixando um pouco de si. Relações saudáveis acontecem quando as trocas são justas e equivalentes. Estas relações nos permitem evoluir e crescer, nos tornamos mais humanos, melhores pessoas, sempre nos acrescentam. Você se verá doando partes de ti para várias pessoas ao longo da sua vida, com diferentes consequências, oras elas te engradecerão, e te darão retornos incríveis. Porém, diversas vezes serão doações injustas, quase egoístas, na qual um lado ganha um prémio melhor que o outro. Aquele amigo secreto que você dá uma caixa de chocolate e ganha uma meia.

O erro começa quando a troca é injusta. Quando um quer aproveitar aquilo que aqueles ao seu redor tem a lhe oferecer. Cultiva e cria relações egoístas, de tudo quer, de nada abre mão. Em diferentes momentos encontraremos estas pessoas em nossas vidas, em várias ocasiões elas conseguirão entrar em nossos caminhos. Só nos resta quando identificarmos, evitar tais trocas injustas.

Tudo bem, não podemos julgar alguém antes de conhece-lo. No fim a vida é feita de encontros e desencontros. Conheceremos muitos, manteremos poucos. Manteremos aqueles que as trocas serão sempre as melhores. Mas isso não mudará o fato que sempre carregaremos uma parte daqueles que cruzaram nosso caminho.

Afinal? Quanto de outros você carrega consigo?

Fonta da imagem original de @biaarantes: Instagram

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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Pedro Brant

Brainstorm sobre normalidade

O que é ser normal? Você sabe? Você é? Não sou normal. Não é uma pergunta, é realmente uma constatação. Quanto mais os anos passam, quanto mais conheço as pessoas, mais percebo isso: não sou e nunca fui normal. Mas algo me chamou a atenção nisso tudo, nunca achei ninguém que fosse. Você conhece alguém normal?

Para conseguir responder se alguém é normal, primeiro, precisamos definir o que é ser normal. Quais são os requisitos, o que separa alguém normal de alguém considerado não normal? Cada um tem seu conjunto de coisas consideradas normais, mas todas oscilam no entorno da cultura macro em que vivem.

Quantas pessoas normais você conhece? O que elas têm em comum? O que as fazem parecer normais, serem normais?

Não consigo dizer por países e regiões que fogem muito a nossa realidade, mas olhando apenas para nosso mundinho existem infinitas normas e regras que você tem que seguir para ser normal. Façamos um exercício, imagine alguém absolutamente normal. Irei ajudar, uma pessoa normal segue diferentes normas, códigos e convenções socioculturais, entre elas temos códigos de vestimenta, alimentação, comportamento (que variam da forma de andar até a forma de falar) e chegamos ao ridículo de algumas regras que consideram o físico e condição física de cada um. 

Tenho certeza que você foi montando um personagem extremamente chato e quadrado. Alguém que se existisse de verdade seria uma pessoa tão normal que chegaria ao ponto de ser estranha. Mas pera. Então a pessoa absolutamente normal soa anormal?

A ironia aqui é essa. A normalidade não existe. Somos anormais porque somos únicos. Cada um de nós tem seus defeitos, manias, interpretações da vida em sociedade, que, enquanto não faz mal aos outros, não é errada. Acabamos chamando de normal pessoas que seguem uma grande porcentagem das regras socioculturais dos normais, mas no fim ninguém seguem todas.

Não tem problema cantar no banho, dançar no shopping enquanto escuta música no fone de ouvido, comer batata frita com sorvete, gostar de pizza fria de café da manhã, tomar café de noite, não dormir de noite para dormir de tarde, falar de sexo na roda de amigos, pintar o cabelo de rosa, cortar o cabelo com moicano reverso, comer chocolate com bacon, gostar de passas na ceia de natal, escrever um blog com textos aleatórios.

Tudo isso é normal, pra quem faz, pra quem gosta, e não afeta ninguém. O fato de sermos únicos é uma das coisas mais mágicas da sociedade. Nossas anormalidades nos unem, nos deixam melhores, nos completam. Se olhar para as pessoas com quem tem afinidade verá que tem quase tantas semelhanças quanto possível, mas no fim ainda são seres únicos. Acabamos nos cercando de pessoas tão anormais quanto nós, mas que ainda tem o que nós acrescentar.

Não é errado ser anormal, ser diferente, ser louco, afinal, todos somos. Somos únicos, isso que faz o mundo divertido, isso faz conviver com os outros divertido, que, no fim, faz a vida ter graça. Ser normal é chato, então, sinto muito a todos, eu não sou normal, e nem vou me esforçar pra ser, mas sou algo muito mais especial, sou único, como todos somos. A todos nós uma jornada nada normal pela vida.



Fonte: Colegioweb

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Pedro Brant

Brainstorm sobre Tempo

Quanto vale um minuto? Qual a importância dessa fração de hora? Me peguei pensando isso, e instantaneamente fui ver quanto ganho por minuto. Algumas contas depois chego a algumas moedas e, bem, temos um valor. Mas ao mesmo tempo que consegui um valor percebi que não era esse valor que buscava.

Afinal, quanto realmente vale um minuto?

Vamos reformular.

Quanto você está disposto a dar por mais um minuto na cama segunda de manhã, por um minuto a mais com quem você ama, por mais um minuto com seus filhos, família, amigos? Pensando assim fica fácil abrir mão daquelas moedinhas né? Ou pelo menos a tentação aparece certo?

Tempo é uma moeda poderosa, única e especial. Tempo é algo que todos nascemos com uma poupança e não sabemos quanto tem nela. Vamos usando ao longo da vida, muitas vezes como se não tivesse fim. Olhando dessa forma é como se vivêssemos nossa vida como uma constante permuta, estamos sempre trocando tempo por coisas que precisamos, queremos, desejamos... Pera, precisamos? Mesmo?

Tempo vale ouro é uma frase velha e falsa. Não existe ouro com poder para comprar aquilo que o tempo pode comprar e, mesmo assim, muitas vezes acabamos trocando nosso tempo por coisas que não valem, não merecem o nosso tempo. Nós valorizamos muito pouco o quanto vale o tempo. Não existe presente mais belo que o tempo, dar seu tempo a alguém é a maior prova de amor que você pode dar, seja a pessoas com vínculos próximos ou apenas ceder seu tempo para ajudar a alguém.

Tempo não volta, não tem reembolso, nem empréstimo. Só mesmo nossa poupança invisível, esgotando a cada minuto usado. Na sociedade atual o que fazemos é uma troca, como trocar moeda numa casa de câmbio. Cedemos tempo, ganhamos dinheiro, e com esse dinheiro queremos melhorar o tempo que sobra. Parece idiota dizendo assim né?

Por que alguém iria jogar fora tanto tempo por um tal de dinheiro que deixa o tempo que sobra melhor? Não é melhor ter mais tempo? A melhora do tempo que sobra compensa tanto a ponto de vendermos tanto tempo assim?

Estas perguntas são sem sentido, principalmente se pensarmos que muitas vezes não escolhemos. Assim como comprar moedas em casas de câmbio, ficamos sujeitos as cotações que querem pagar por nosso tempo, e sem o tal do dinheiro não podemos usar de maneira mínima nosso tempo. É uma eterna armadilha giratória, na qual estamos presos vivendo.

Mas, de novo, seus minutos valem as moedinhas? E se ao invés de ter aquele item de última geração, eu passar 6 horas a mais em casa com minha filha por semana? E se ao invés de ter um carro, eu tivesse mais condições de encontrar com meus amigos aos sábados? E se no lugar de uma casa maior eu pudesse passar 24h a mais com quem amo por mês? E se?

Não é só como as coisas funcionam que dizem como vamos vender ou gastar nosso tempo, nossas escolhas também dizem muito. Não podemos deixar de vender o tempo, mas podemos decidir como é melhor vendê-lo e o que faremos com os frutos desta venda. Nosso tempo é nosso, apenas nós definimos como e com quem usá-lo.

Cada um transforma seu tempo de maneira diferente, esta é a beleza humana, somos singulares, únicos, isso nos permite pensar em infinitas maneiras de usar o tempo que nos sobra. Basta sermos criativos. Sabermos o que realmente importa. O que e quem realmente merece nosso raro, único, e especial tempo.

Cada minuto dado a alguém vale mais que qualquer um de nós jamais conseguiria imaginar. Só posso desejar muitos minutos a todos.

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