Hoje fui pagar 1 real que fiquei devendo na farmácia.
Era só um real, mas eu ouvi "Nossa! Que raro. Geralmente ninguém
volta".
Chegamos ao meu ponto, dessa vez bem rápido.
Estamos tão acostumados com a desonestidade, com a vontade de ganhar em cima de
todos ao nosso redor, que é estanho ver alguém sendo honesto e ajudando o
outro. Chegamos ao ponto de hipocrisia que a desonestidade soa como honestidade
e que atos honestos geram desconfiança.
Isso me lembrou de quando eu era criança que
achei uma carteira cheia de dinheiro perdida na escada do prédio de minha tia.
Levei a carteira ao porteiro e pedi que ele achasse o dono. Quando contei em
casa meu pai ficou perplexo, indignado ele disse que eu devia ter ficado com o
dinheiro e que era óbvio que o porteiro iria roubar a carteira para ele agora e
que o dono não receberia a carteira mesmo. Dois pontos podem ser vistos nessa
história: Primeiro, o dinheiro não era meu e podia estar fazendo falta para alguém.
Segundo, que raios é essa história de sempre achar que o outro é desonesto, o
porteiro pode muito bem ter achado o dono, uma vez que ele conhecia todo o prédio
melhor que ninguém.
Todos reclamam de corrupção e dos problemas
do nosso pais, mas por que não começar parando com a sua própria corrupção?
Aqueles pequenos atos como provar uma fruta no mercado antes de pesar, não devolver
o troco recebido errado, não avisar quando o operador passar o produto a menos,
devolver aquela moeda que uma pessoa derrubou.
Deveríamos parar para ajudar alguém que
precise de qualquer, seja abrir um saco de verdura para uma mãe com o filho no
colo, pegar um papel no chão para uma pessoa com dificuldade para abaixar, dar
um moletom velho que você nem usa mais para alguém que precisa. Hoje, com a
nossa cultura de jamais ajudar o outro, quando você se prontifica a ajudar, é
prontamente encarado e julgado, consequentemente, inibido.
Precisamos para de procurar um
"jeitinho" de resolver problemas, avisar quando receber o troco
errado, para procriarmos uma cultura que permita que tenhamos um mínimo de
confiança na pessoa ao lado. Mudando nós mesmos, mudamos o paradigma que rege
esse pais, mudando como nós comportamos faremos a próxima geração ser diferente,
ou no mínimo ver um mundo em mudança para melhor.
Nada mudará sozinho. Temos de ter a coragem
de mudar a nós mesmos e não buscar mais jeitinhos, parar de fingir que esqueceu
de pagar o um real que faltou na hora de pegar o remédio na farmácia. Porque, simplesmente,
honestidade não deve ser qualidade, mas sim um valor, e esse valor deve ser
levado para sempre e passado de geração para geração. Não desista quando
parecer que está tentando enxugar gelo, pois realmente estará, estaremos todos,
mas com as mãos necessárias podemos secar o Alaska se quisermos.
Pequenos atos, juntos somam grandes mudanças, e no fim só depende de cada um.
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| Fonte: Culturamix |
